Como esconder CPF e dados pessoais em PDF de verdade
Publicado em:
Um extrato para comprovar renda, um holerite para a imobiliária, uma planilha de funcionários para o contador, um processo para publicar num relatório: em algum momento todo mundo precisa compartilhar um PDF que contém dados que o destinatário não precisa ver. O reflexo natural é abrir um editor, desenhar um retângulo preto em cima do CPF e mandar. E é aí que mora o problema.
Neste texto explicamos por que uma tarja comum nem sempre esconde nada, como fazemos para remover o dado de fato e como pensamos essa tarefa à luz da LGPD. Não é aconselhamento jurídico; é o método que usamos no dia a dia.
O erro da tarja que não apaga
Um PDF é formado por camadas. Quando você desenha um retângulo preto com uma ferramenta de anotação ou de edição comum, ele é colocado por cima do texto, mas o texto continua lá embaixo. Basta selecionar a área e copiar, ou abrir o arquivo em outro leitor, para o CPF aparecer inteiro. Casos assim já expuseram dados em documentos de empresas e até de órgãos públicos.
O mesmo vale para o corte de página: recortar a margem de um PDF só muda a área visível, e o conteúdo de fora continua no arquivo. E o corretivo branco de muitos editores, incluindo o nosso Editar PDF, também apenas cobre visualmente. Para esconder dados sigilosos, é preciso uma ferramenta feita para remover, e não para cobrir.
Como o Tarjar PDF funciona
No pdfdots, o Tarjar PDF foi pensado exatamente para isso. Você desenha caixas pretas sobre o que deve sumir e, nas páginas marcadas, o conteúdo escondido é removido de fato: a página é convertida em imagem, sem o texto original por baixo da tarja. O resultado é um PDF em que não há o que copiar ou recuperar naquelas áreas.
Tudo acontece no seu navegador. Isso é importante aqui mais do que em qualquer outra tarefa: seria contraditório proteger o CPF de alguém enviando o documento inteiro para um servidor desconhecido. O arquivo não sai do seu computador ou celular durante o processo.
Há uma consequência que preferimos avisar: como as páginas tarjadas viram imagem, o texto restante delas deixa de ser selecionável e pesquisável. As páginas sem tarja continuam como estavam. Para quem só vai ler o documento, isso não faz diferença; se o destinatário precisar pesquisar no texto, dá para rodar o OCR PDF depois, e ele só vai reconhecer o que ficou visível.
O que costumamos esconder
A regra que seguimos é simples: se o destinatário não precisa do dado para cumprir a finalidade, ele sai. Os itens mais comuns na nossa rotina são:
- CPF e RG de terceiros, como colegas numa lista ou partes num processo.
- Número de conta, agência e chave Pix em extratos.
- Endereço completo e telefone, quando não são necessários.
- Salários de outras pessoas numa folha de pagamento.
- Dados de saúde, como CID em atestados, quando o destinatário não precisa saber.
E a LGPD com isso?
A Lei Geral de Proteção de Dados trouxe para o dia a dia uma ideia que nós consideramos muito sensata: tratar apenas os dados necessários para a finalidade. Na prática, isso significa que, antes de mandar um documento, vale perguntar se todos os dados pessoais que ele contém precisam mesmo ir junto.
Para empresas, tarjar documentos antes de compartilhar é uma forma concreta de aplicar esse princípio. Para pessoas físicas, é uma proteção contra golpes: um CPF com nome completo e data de nascimento circulando em PDF é matéria-prima para fraudes. Em casos específicos, como documentos que vão para processos judiciais ou para autoridades, confirme com o responsável jurídico o que pode ou não ser tarjado.
Passo a passo que usamos
Com o método abaixo, tarjamos um documento de algumas páginas em poucos minutos:
- Faça uma cópia do original e guarde-a em lugar seguro.
- Abra a cópia no Tarjar PDF.
- Arraste caixas pretas sobre cada dado a esconder, página por página.
- Salve o PDF tarjado.
- Abra o resultado, tente selecionar e copiar o texto sob as tarjas e confira se nada aparece.
- Só então compartilhe.
Cuidados extras que fazem diferença
Dados sigilosos não estão só no texto visível. Nome do arquivo, título do documento e até imagens escaneadas podem revelar o que você tentou esconder. Renomeamos o arquivo para algo neutro e verificamos se não há outra ocorrência do mesmo dado, como o CPF repetido no rodapé de todas as páginas.
Um cuidado adicional são os metadados: autor, título e programa de origem ficam gravados no arquivo e podem trazer nomes que você não queria expor. Vale abrir as propriedades do documento no leitor de PDF e conferir. Se o documento for um scan, lembre que o número pode aparecer em carimbos ou em assinaturas. E se depois de tarjar você precisar juntar o PDF a outros documentos ou comprimir para enviar, pode fazer isso normalmente com Juntar PDF e Comprimir PDF, que também rodam no navegador; as áreas removidas continuam removidas.
Perguntas frequentes
Tarja preta em editor comum apaga o CPF?
Nem sempre. Muitas vezes ela só cobre o texto, que continua no arquivo e pode ser copiado. Use uma ferramenta que remova o conteúdo, como o Tarjar PDF.
O texto tarjado pode ser recuperado?
Nas páginas marcadas no Tarjar PDF, o conteúdo sob as tarjas é removido. Mesmo assim, recomendamos conferir o resultado tentando copiar o texto.
Meu documento é enviado para um servidor?
Não. A tarja é aplicada no seu navegador e o arquivo não sai do seu aparelho.
É grátis?
Sim, sem marca d'água. Basta uma conta gratuita com login pelo Google.